Com amor.

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Poderia falar sobre qualquer coisa.

O mal que as pessoas vêm vivendo em querer subestimar o sentimento alheio e entrar em uma competição sobre “quem tá mais ferrado”. Como as coisas simples são muito mais importantes e de muito mais valor do que aquelas que têm um preço. Todos os conflitos que tive que enfrentar comigo mesma em menos de 30 dias. Desânimos, quase desistências, raiva, revolta, mágoas. Todas as coisas que não deixamos as pessoas verem e o quanto, mesmo assim, acham saber o suficiente para apontar o dedo e julgar. As saudades que vêm e vão. As pessoas que dão tchau mesmo antes de chegarem a dizer “Oi”. Receios, medos, canseira física e psicológica.

Mas aí, no meio desses pensamentos, lembrei que todas essas coisas ganharam um desfecho que poucas pessoas conseguem enxergar e do qual eu nunca me canso de falar: gratidão!

Por tudo, todos e cada situação.

Quem me machucou e me fez crescer, que me fez trilhar um caminho bem diferente do que eu imaginava e trouxe à tona habilidades que eu nem sabia que existiam. Aqueles que tiram um pouquinho do seu tempo para ler cada angústia e decepção. À quem me “ouviu” e deu atenção a cada lição. Ao cara lá de cima, que me sustentou. À quem, mesmo sem saber, me fez ter um turbilhão de sensações. À quem acreditou, me fez sorrir e me encantou. À quem eu pude fazer sorrir e encantar.

De repente deu vontade de falar, de mandar uma mensagem simples, prática e rápida, sem perder a essência ou tirar a legitimidade da palavra: Obrigada!

Não abuse, cuide!

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Saia, short, vestido, decote ou calça colada. Nada justifica uma invasão. Na escola, na igreja, na balada ou na rua. Não há segurança prevista. Por um estranho, um conhecido ou até mesmo um familiar. Ninguém está impune. Estejam um, dois, três, trinta ou sessenta participando. O crime é o mesmo. Acordada ou dopada. Toques, palavras, puxões ou penetração. Tudo é abuso.

Quando te assediam na rua, é abuso. Quando te puxam na balada, é abuso. Quando te forçam a beijar (ou transar), é abuso. Quando acham que têm o direito de mandar no que você usa ou não, que podem definir se você “merece” ou não, está “pedindo” ou não, apenas pela sua escolha na hora de se vestir, é abuso. Quando passam a mão em você sem o seu consentimento, é abuso. Só de te olharem como um objeto sexual, é abuso. É machismo, sim. E pior: machismos soltos por mentes femininas, em muitos casos.

Mentes femininas que estão acostumadas a aceitarem tudo. Mentes femininas que, muitas vezes, sofrem abusos diários sem perceberem que sofrem e continuam propagando essa ideia.

Quando uma mulher julga a outra pela roupa que usa ou pela forma que costumam se portar, as chamando de nomes impensáveis, estão propagando essa ideia. Quando as criticam pelo número de caras que já ficaram, estão propagando essa ideia. Quando julgam saber seu caráter pelo tamanho da sua saia, estão propagando essa ideia. Quando vêm atos abusivos ou passam por eles sem denunciar, estão propagando essa ideia.

São pequenos comentários, breves piadas, atitudes “na brincadeira”… Detalhes que ajudam a firmar uma cultura que existe há milênios, crimes que são tratados com uma naturalidade que não deveria existir. E é necessário que uma pessoa sofra o suficiente para derramar lágrimas por todo um país para que olhos sejam abertos e atitudes sejam tomadas. Uma, mas que representa todas as outras que não ganham voz e não são tratadas com a seriedade que deveriam.

Enquanto eu escrevo, 3 pessoas já foram abusadas no Brasil. 3 seres humanos que perdem aos pouquinhos sua humanidade, vendo a fé, a esperança, o amor e a compaixão irem embora. Vivendo à base de traumas e medos que poderão seguir até o fim de suas vidas.

Não “cante”, elogie. Não puxe, acaricie. Não grite, mande, chantageie ou obrigue, confie. Não traumatize, crie boas lembranças. Não bagunce a vida de alguém de forma tão brutal. Não machuque. Não veja como um objeto. Seja mais humano.

E que a justiça seja feita, porque, infelizmente, enquanto um caso é repercutido durante dias em rede nacional, outras centenas de vítimas são abusadas.

É revoltante. É triste. É desumano.

Dói.

Nayara Rosolen

De cara com o passado!

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É estranho, eu sei, na maioria das vezes a gente evita ver, porque nunca sabemos o que esperar . E, talvez, o frio na barriga é exatamente por isso: não saber como irá reagir já que está tão acostumado apenas a lembrar.

Já achei que tinha superado e levei uma baita balançada quando dei de cara, assim como pensei que poderia sentir aquele tremelique por dentro e tudo o que aconteceu foi apenas uma sensação boa de saber que aquela pessoa um dia já significou muito pra mim, o que me fez crescer muito também.

Nós sonhamos, fantasiamos, acreditamos, desejamos… Tudo isso para que, no fim, entendamos que se fosse para acontecer a pessoa estaria do nosso lado, e não apenas na nossa mente. Mas, não se engane, não. Nunca é tempo perdido, apesar de parecer que fomos tão bobos.

Às vezes é só falta de sintonizar com a vida real mesmo. Viver o presente e não apenas planejar o futuro. Colocar a mão na massa pra que os planos sejam concretizados e não só esperar que as coisas caiam do céu. A vida dá o caminho da oportunidade, desde que já estejamos nos trilhos certos. E, se às vezes nos sentimos perdidos sem saber o que fazer, na hora certa tudo vai encaixar, desde que você esteja disposto a ser feliz e não apenas reclamar.

Algumas dores são necessárias, assim como as decepções que mostram o que realmente vale a pena. Não adianta culpar céus e Terra por algo que certamente tem um propósito pra você. Infelizmente, ou felizmente, tudo leva tempo e tudo o tempo leva. As peças do quebra-cabeça se encaixam e você percebe que já havia um planejamento maior que o seu para a sua vida.

Você é quem decide como vai encarar isso, quando der de cara com ele.

Nayara Rosolen

Escapes da vida!

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Esses dias estava passando um tempo pela internet até que me deparei com a frase “o segredo é deixar a música mais alta que seus problemas” e percebi que estou quase 24h por dia com o fone no ouvido. O que não é de se admirar, já que, além da escrita, a música acabou se tornando meu escape. Mas, fora isso, comecei a analisar diversas outras situações.

Nos ônibus há avisos para que coloquemos fones, pois nem todo mundo divide o mesmo gosto musical. E não é nada incomum ver a maioria das pessoas imersos na dimensão da música, basta olhar para o lado. Alguns fazem alguns movimentos com o corpo, outros ficam refletindo enquanto olham pela janela e há aqueles que além da música ainda mergulham em alguma leitura ao mesmo tempo. Cada um em seu próprio estilo, mas talvez com o mesmo objetivo: desligar a voz chata do mundo.

Muita gente já acorda logo cedo mal humorado, pisando firme, reclamando do trânsito, do horário, das pessoas, da vida. Xingam, brigam, discutem, soltam os cachorros naqueles que em nada tem a ver com o seu mal amor consigo mesmo. Como podemos julgar aqueles que vivem “no mundo da lua” (como diz minha mãe quando me vê andando de uma lado para o outro da casa sem escutar ninguém pelo volume no último)?

A música nos dá o que o mundo nos tira. Mesmo que seja um breve conforto, uma pequena esperança, um vasto olhar promissor para o futuro, um choque de disposição para o que precisa ser feito. Mais do que dizer o que fazer, a música nos entende.

E sermos entendidos, mesmo que nas maiores loucuras, é o que a gente mais procura.

Nayara Rosolen

Parceria é questão de sintonia! 

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Uma conversa, poucas palavras suficientes para unir duas pessoas que aparentemente não tinham nada em comum. Como eu disse, aparentemente. Os gostos vão conciliar, assim como as discórdias, a confiança surge como se conhecessem de outras vidas e as conversas mais bobas só provam que aquele laço é único. Assim como muitos outros existem por aí, mas que ninguém entende, a não ser os envolvidos.

Algumas fases distantes serão necessárias, pra ver que a única que poderia entender não poderá ser ninguém além dela. Piadas internas não irão faltar e basta um olhar para que uma entenda o que a outra quer falar. Vocês vão rir, gargalhar, chegar a chorar e quando pra alguém for contar ninguém vai entender. Talvez nem vocês entendam, mas ao se olharem o riso vai sair como se fosse a primeira vez que estivessem rindo daquilo. Uma virada de cabeça, rolada nos olhos e será o suficiente para passar aquele código. As conversas vão surgir e fluir como se não se falassem há anos, mesmo que uma não pare de mandar mensagem para a outra.

Os anos vão passar, os caminhos vão desviar, a vida vai cobrar, o medo vai vir, assim como o anseio, mas no meio de tudo isso vai ter ela, pra te escutar. E sempre vai ter alguém pra perguntar “Nossa, mas vocês ainda se falam?”, quando na verdade ela é a única que tem falado com você, mesmo estando distante. Espera, não é culpa dos outros estarem mais longe. Amizade é questão de sintonia e sintonia não tem a ver com distância. Nunca teve. Aliás, quem ousou achar que essa distância existe? As pessoas só vêem o que a gente deixa, ou o que se permitem enxergar.

Vocês não vão acreditar, mas as coisas vão acontecer de uma maneira muito parecida dos dois lados e quando uma desanimar vai ter a outra pra soltar algum sinal que só vocês entendem e são capazes de achar graça até mesmo onde já não pareça ter solução. Histórias são o que não irão faltar, das mais “mico do ano” até aquelas “não vou conseguir parar de rir nunca mais disso”. Os apelidos só vocês irão entender. Quando chegarem à idade adulta, vão lembrar de quando uma falava para os pais que ia na casa da amiga, quando ia ver o boy (e a outra sustentava a mentira como se sua vida dependesse disso), as desilusões amorosas (que sempre passaram), as decepções (que fizeram crescer, juntas), as confidências (que existirão pra sempre, vocês sabem). Quando quiser reclamar você vai saber que é só chegar. Não tem cerimônia, não existe isso de “parece que estou atrapalhando”. Pode ser que vocês não concordem em algumas coisas, normal, sinceridade e respeito estão aí pra isso.

O amor da vida dela? Você sabe quem é, mesmo que ela mesma não admita. O rolo da câmera do seu celular vai predominar com prints e fotos de caretas enviadas apenas para tirar uma risada da outra. E quando você precisar de alguma foto “descente” para falar algumas poucas palavras de afeto em alguma data especial: não vai existir. Porque as fotos de vocês duas juntas definem exatamente o que acontece quando vocês se encontram: blábláblá, mimimi e KKKKKK. E vocês, sinceramente, não vão se importar em parecer normais. É nessa bagunça que cedo ou tarde, uma vai usufruir do ombro da outra. Mas, espera…

Quem foi que disse que não existe amizade verdadeira entre mulheres mesmo?

Nayara Rosolen

Procura-se: O respeito!

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Vamos combinar, cada um se conforta acreditando no que lhe convém, baseado em suas experiências ou no que se permite enxergar. E, tudo bem, a graça da diversidade é exatamente a de cada um poder escolher seu próprio caminho. Afinal, não existe uma única verdade absoluta. Ou, não deveria existir essa hipótese.

Enquanto vejo pessoas tapando os olhos para um único horizonte, que não só creêm em algo, mas que buscam manipular todos ao seu redor, dizendo-lhes que estão errados de seguir o que acreditam, fico me perguntando se é porque realmente está tão cego a ponto de achar que todos os caminhos, a não ser o dele, estão errados ou pelo simples fato de querer ter a razão para si. Porque, olha só, nós somos assim mesmo. Gostamos de estar certos. É muito mais fácil apontar para o outro do que questionar a si mesmo.

Culpa da nossa ignorância de achar que tudo que é diferente do que estamos acostumados não está certo de alguma forma. E isso não deveria mais ser um problema, não fosse a falta de capacidade do ser humano de se colocar no lugar do outro ou o erro em achar que sabe tudo sobre todos. Pensa comigo, se nem nós mesmos conseguimos nos conhecer 100% e sempre descobrimos algo de novo, como temos a coragem de achar que sabemos o que se passa com aquela pessoa que mal sabemos o nome?

Primeiro a confusão e depois o espanto, é exatamente assim que as pessoas reagem quando são contrariadas. Não estão dispostas a levar um não, nem muito mesmo receber argumentos contra a altura. Somos carentes ao ponto de precisar que os outros estejam de acordo com a gente, apenas para encher nosso ego com a razão. Ou seria para confirmar a si mesmo de que está no caminho certo? Porque, ao meu ver, quando temos a certeza do rumo que trilhamos, o que os outros pensam, sinceramente? Não importa.

Mas deixa eu contar uma coisa: cada um tem uma mente para que possa pensar por si só. As pessoas não têm que concordar em tudo, não precisam passar a mão na sua cabeça e muito menos dar uma falsa afirmação a qualquer coisa que você diz só para provar que está do seu lado. Eles têm um único dever: respeitar.

E sejamos bem sinceros: respeito é o que mais falta.

Nayara Rosolen

De novo você por aqui?

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Oi. Faz tempo que você não aparece por aqui. Achei que já tivéssemos resolvido tudo. Sei que isso parece meio irônico, já que você nem está aqui de verdade, em carne e osso. Se estivesse, provavelmente eu diria “Olha, não é por nada não, mas você precisa se decidir: ou vai, ou fica“. Mas o que dizer para a minha mente, quando mal posso controlá-la? Combinamos de que eu iria te superar e ela deixaria meus sentimentos intactos. Me esqueci que essa função não a pertencia. De certa forma sempre acreditei que pensamento tem um poder muito maior do que a gente possa imaginar, e você apenas comprovava isso aparecendo alguns dias depois de surgir por aqui – nos meus pensamentos.

Na vida tudo que acaba sempre tem um ponto final, mas, inacreditavelmente, quando eu achava que havia colocado a pontuação certa, você surgia me mostrando uma vírgula ou, pior, uma reticências. Tem coisa mais chata do que esses três pontinhos dos quais a gente nunca sabe o que esperar?

Hoje sei que a vida anda e as pessoas podem voltar a aparecer com uma papel diferente na nossa história. Isso se chama superar. Com você também sempre foi assim, mas diferentemente de todos os outros, você vinha com toda essa bagagem mostrando que as situações eram realmente diferentes, mas que a conexão continuava sendo a mesma. O que não significa superar, mas que eu também nunca soube nomear.

Esses dias em especial, você tem aparecido, de uma maneira diferente. Não é um sentimento neutro, não sei se um dia será. Mas é uma calmaria que há muito não sentia em relação a você. É a tranquilidade, é a paz, é a consciência limpa e a certeza de que mesmo que você não volte mais como costumava, sem ser muito melancólica, sempre vai existir aqui dentro.

Ainda me imagino rindo com você de todas as bobeiras que passaram e percebendo o quanto talvez tenhamos misturado as coisas, sabendo que você sempre vai ser a mesma pessoa pra mim. Que me aguentou muitas vezes, e muitas outras não. Que me repreendeu quando achou necessário e soube, mesmo que do seu jeito e mesmo que muito tempo depois, me ensinar a crescer e amadurecer. Talvez essa calmaria seja a resposta dessa mudança e compreensão.

Pode ser que eu nunca saiba explicar como é, mas a sensação que vem quanto penso nisso, junto com as músicas que coloquei há pouco e coincidentemente, ou não, me fazem lembrar você, só me deixam pensar que talvez junto com tudo isso também tenha vindo um dos sentimentos mais puros que eu já conheci: gratidão.

Obrigada!

Nayara Rosolen