TÁ TUDO CERTO

A gente muda mesmo, “mores”. A gente tá aqui pra viver, aprender, se reinventar. Qual seria a graça de ser sempre o mesmo? O melhor da vida é experimentar.

Num dia a gente espera pelo príncipe encantado, no outro a gente corre atrás daquele carinha só pra dar uns beijos. Hoje a gente não curte muito a combinação de água salgada com areia, amanhã a gente quer virar sereia. Ano passado a gente assistia carnaval pela TV, só pra criticar, e ano que vem a gente pode estar pulando na Sapucaí. Eu posso ter pânico de avião e amanhã querer viajar o mundo.

Sua família pode não concordar, sua vizinha pode comentar, seus amigos podem olhar meio estranho. Afinal, é difícil mesmo encontrar quem não tem medo de ser o que é, fazer o que gosta, com quem gosta, na hora que bem entender. Causa espanto. Essa tal de coragem é para poucos – felizes os que têm.

Ninguém pode te julgar por querer transformar o que te incomoda. E muito menos por se aceitar do jeitinho que você é. Tudo certo querer ficar em casa no sábado a noite, se é o que te faz bem. Festar o final de semana todo? Tá liberado também.

Tá tudo bem trocar a Medicina pela Arte. Ok se você já não se sente você com o que vê no espelho. Não faz mal repaginar o guarda-roupa, cortar o cabelo, fazer o que quiser no seu corpo. Não tem problema nenhum se arrepender por coisas que já fez ou disse (só não vale se martirizar). Tá feito, tá dito. Bora mudar.

Deixa a língua queimar, deixa a alma vibrar. Hipocrisia mesmo é a fala que mente, é não viver o que sente.

Nayara Rosolen

Facebook | Instagram do blog | Instagram pessoal |Twitter | Snapchat: nayrosolen

Anúncios

Que ano! #EspecialQG

Dois mil e dezesseis: o ano em que tinha tudo para ser só mais um daqueles em que a gente olha para trás e diz “Mas já? Nem vi nada acontecer”. Quem dera, em alguns momentos, podermos apagar. Que bom que somos capazes de vários outros na memória poder guardar.

Foi com medo. De errar, de apressar, de ter que voltar, de não dar conta, de desistir, de não ser como eu imaginei. Nunca é. Às vezes decepciona, às vezes é bem melhor do que a gente sonha. E está aí a graça de viver tudo isso, de se jogar e acreditar em algo que a maioria das pessoas não dão a mínima. Esse ano eu fui felicidade, fui realização, gratidão, saudade e também decepção – faz parte. Fui principalmente construção, de coisas que já viviam comigo há anos.

Nos últimos 365 dias eu vi tristeza, vi tragédias, chegadas e partidas. Vi sorrisos, momentos compartilhados, sintonia que parecia ensaiada. Eu vi sonhos se realizando diante dos meus olhos. Mas, acima de qualquer coisa, eu vi mudança. Vi amadurecimento, crescimento de sementes que foram plantadas há muito tempo – e aprendi que cada coisa tem seu momento. Sabe quando você olha pra trás e pensa “nem acredito que isso está acontecendo”?

2016 foi a realização de tantos momentos passados e repassados na cabeça. Que, aliás, não foram como no roteiro. Ainda bem – ficamos abertos a tantas melhores possibilidades quando desapegamos de uma verdade que nós mesmos criamos e julgamos ser absoluta.
Respirei novos ares e conheci caras novas, o que que me fez decepcionar bastante. Mas aprendi que só assim a vida poderia me ensinar. Passei a selecionar. Não com quem me relacionar, mas o que doar de mim para cada um. Entendi que ninguém pode vir antes da gente e que engolir palavras faz tudo ficar amargo demais por dentro.

O final desse capítulo foi mais do que tudo: lição! Vamos para o próximo. Com medo mesmo. Mas com a certeza de que nada é em vão e de que tudo e todas as dificuldades, serão recompensados. Um novo ciclo se inicia a partir daqui.

Que em 2017 a gente viva tudo aquilo não conseguimos ou não nos permitimos viver em todos os anos anteriores. E que venham também os tombos, para que possamos nos tornar pessoas ainda melhores. Mas, antes de qualquer coisa, que a gente aprenda que quem faz o ano somos nós.

Ah, e que a gente nunca deixe de sorrir e agradecer em qualquer situação.

Nayara Rosolen

1

O dia em que eu aprendi que chorar não é errado!

1.gif

Eu sou daquela que chora, mas quem nunca foi pelo menos uma vez? Cresci engolindo o choro perto de outras pessoas: ou por ameaças (“engole o choro ou eu vou te dar motivo para chorar de verdade”, quem nunca?), ou porque eu mesma criava uma barreira (“não posso ser fraca”, quem nunca?). Mas, quando sozinha, libertava todas as refugiadas de uma vez só, daquele tipo que molha o travesseiro antes de dormir. Cresci me achando muito sensível (ou mole demais) e apontando isso como um erro. Daí vem uma coisa linda chamada vida para nos ensinar, assim como as lágrimas, que cada um tem um jeito e expressa suas emoções de formas diferentes.

Há aquelas lágrimas resistentes, que insistem em ficar ali, aglomeradas, impedindo que qualquer imagem possa ser vista nitidamente, mas, sem aguentar, acabam dando o braço a torcer ou escapolem sem perceber. Geralmente essas vêm com um nó apertado na garganta, aquele que a gente não quer soltar e não percebe que assim só sufoca ainda mais.

Há também algumas que surgem sem nem a gente imaginar, de repente dá aquele arrepio no corpo, sobe aquela sensação no nariz, na maioria das vezes utilizando os lábios para soltar os nós, só que em forma de sorriso. Esse sai tranquilamente, sem resistência alguma e o fim a gente já sabe: acaba nos olhos que de tão brilhantes escorrem pelas bochechas cheias ao deixar os dentes à mostra.

Tem dias que eu choro e não é de alegria, nem tristeza. É a saudade e ela não necessariamente tem que carregar junto um desses sentimentos. A saudade é uma emoção livre, que vive por aí, rodeando aqueles que nos faz falta, dando aquele apertãozinho de vez enquanto, mas deixando claro um conforto de quem só faz uso dela, porque um dia já sorriu demais.

Cada uma trabalha de um jeito, amadurece como pode, lida com as sensações da melhor forma e expõe o que sente à sua maneira. Assim como as pessoas.

No fim a gente aprende: erro mesmo é não se deixar emocionar.

Nayara Rosolen