TÁ TUDO CERTO

A gente muda mesmo, “mores”. A gente tá aqui pra viver, aprender, se reinventar. Qual seria a graça de ser sempre o mesmo? O melhor da vida é experimentar.

Num dia a gente espera pelo príncipe encantado, no outro a gente corre atrás daquele carinha só pra dar uns beijos. Hoje a gente não curte muito a combinação de água salgada com areia, amanhã a gente quer virar sereia. Ano passado a gente assistia carnaval pela TV, só pra criticar, e ano que vem a gente pode estar pulando na Sapucaí. Eu posso ter pânico de avião e amanhã querer viajar o mundo.

Sua família pode não concordar, sua vizinha pode comentar, seus amigos podem olhar meio estranho. Afinal, é difícil mesmo encontrar quem não tem medo de ser o que é, fazer o que gosta, com quem gosta, na hora que bem entender. Causa espanto. Essa tal de coragem é para poucos – felizes os que têm.

Ninguém pode te julgar por querer transformar o que te incomoda. E muito menos por se aceitar do jeitinho que você é. Tudo certo querer ficar em casa no sábado a noite, se é o que te faz bem. Festar o final de semana todo? Tá liberado também.

Tá tudo bem trocar a Medicina pela Arte. Ok se você já não se sente você com o que vê no espelho. Não faz mal repaginar o guarda-roupa, cortar o cabelo, fazer o que quiser no seu corpo. Não tem problema nenhum se arrepender por coisas que já fez ou disse (só não vale se martirizar). Tá feito, tá dito. Bora mudar.

Deixa a língua queimar, deixa a alma vibrar. Hipocrisia mesmo é a fala que mente, é não viver o que sente.

Nayara Rosolen

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Prepara que lá vem textão: Férias + Reflexão

Hoje é quarta, dia de texto, mas não tem texto – dependendo de como você enxergar esse post. Percebi que a maioria das coisas que tenho escrito são reclamações, mesmo que sempre acabem em um tom de conselho – esse meu lado aspirante-a-psicóloga-especializada-nos-problemas-das-amigas não me larga. Mas, tudo bem, eu só comecei a escrever porque tinham coisas que precisavam ser jogadas em palavras. E isso se tornou muito mais que desabafos trancados a 7 chaves.

Minhas palavras se tornaram um blog, que se tornou em muitas outras oportunidades nesse meio. Sou tão grata. Sou tão feliz. Cresci tanto. Conheci tanta gente. Escutei tanta coisa. Aprendi a me amar. Tem coisa mais linda que isso?

A internet é uma coisa doida. A gente se sente íntima de pessoas que nem sabem da nossa existência. A gente escuta verdades que nos fazem lidar com nossos monstros internos. A gente se liberta. Eu me libertei.

Há dois anos eu fiz uma viagem sem medo de ser feliz. Estava com pessoas de bem – meus amigos – que sempre me incentivaram a ser como eu realmente sou. E eu fui. Não fiquei mais trancada dentro do quarto, quase virei um peixe de tanto que entrei na água (de maiô, um avanço, diga-se de passagem), desci de um escorrega no meio do mar – minha mãe me perguntou quem era aquela e o que tinham feito com a filha dela quando mandei o vídeo. Tudo isso fez mudar meu conceito de férias-praia-calor.

Não que o resto do ano tenha sido maravilhoso, não foi. Passei por uma série de mudanças, tive que me enxergar de verdade. Esse foi o ponta pé inicial para o ano seguinte (que foi ano passado). Nunca fiz tanta coisa ao mesmo tempo. Era como se eu estivesse colocando em prática tudo aquilo que eu sonhei por anos antes de dormir, de uma vez só. E só agora, longe de toda a loucura, eu consigo ver quão grande foram os passos que eu dei. Foi incrível.

Tá, Nayara, mas o que isso tem a ver?

No meio de toda essa reflexão durante esses dias que estou passando na casa dos meus pais, vi que esqueci de lembrar de mim. Esqueci de respirar fundo, de entender qual era o real problema quando eu me sentia mal. Percebi que descontei em coisas e pessoas que em nada tinham a ver. Não me dei um tempo para relaxar, para pensar em mim, em tudo o que estava rolando. Só segui o fluxo. E, mesmo já tendo aprendido, engoli sapos que não eram meus. Ouvi coisas que não deveriam ser disparadas para mim. Me esgotei.

Nesse exato momento em que eu escrevo e começo a lembrar de tudo, eu sinto uma gratidão muito, muito, muito grande. Mas, ao mesmo tempo, me sinto muito, muito, muito cansada – e nem é cansaço físico.

Hoje eu vou viajar. Para o mesmo lugar que fui com os meus amigos dois anos atrás, mas sem eles dessa vez. Estou ansiosa. Não só porque vou poder descansar, mas também porque quero saber como será essa viagem. Me sinto muito mais aberta e confiante sobre o meu corpo, mas vai ser um desafio. Quero muito acordar cedinho pra ver o nascer do sol, quero tirar muitas fotos, quero entrar no mar com meu maiô sem medo de ser feliz, quero refletir, quero descansar.

Eu estou trabalhando nessas férias desde o final de dezembro e algumas coisas têm me sufocado. Por esse motivo, também tomei algumas decisões. A primeira delas é de que não vou mais fazer qualquer coisa por obrigação, seja aguentar situações que me fazem mal ou fazer posts no blog.

Eu tenho, sim, muitos planos aqui pro meu cantinho e quero realizá-los esse ano, mas não vou conseguir fazer nada bem feito se não estiver com a mente descansada, por isso não teremos posts durante os próximos dias. O post do 7S está agendado sem falta para a próxima terça e os posts do QG ficarão sob responsabilidade do diretor, Lucas, até o dia 25.

Ainda não sei se isso é uma reflexão, um monte de pensamentos aleatórios, se é um incentivo à ser feliz do jeitinho que é, a pensar mais em você, uma carta explicativa ou simplesmente um desabafo. Talvez seja tudo isso ao mesmo tempo.

Eu só queria dizer que vocês não precisam aguentar coisas e pessoas que não os fazem bem. De maneira alguma. Não se sintam na obrigação e a pressão de parecerem sempre legais ou simpáticos e ser algo que não são. Ou não se amar do jeito que é. Pensem em vocês. Não fiquem loucos. Desejo isso do fundo do meu coração. Fiquem bem!

Com amor,

Nayara Rosolen

Deixa Livre 

A vida é feita de ciclos que estão sendo abertos e fechados o tempo todo. Da mesma forma que coisas e pessoas são colocadas no nosso caminho sem que a gente possa esperar, também são retiradas sem se quer perguntar a nossa opinião.

Às vezes nos livramos, já em outras acabamos machucados. Na maioria das vezes dói para que depois a gente compreenda que foi a melhor solução. Mas nós nunca estamos preparados.

Já tive que deixar quem nunca me fez bem e ainda me causava cegueira. Existiram aqueles que mesmo sem qualquer pretensão dominaram partes de mim das quais eu nem tinha conhecimento. Na hora de dizer tchau o sentimento de perda foi tão grande quanto a certeza que eu tinha no começo de que não significaria nada. E, claro, não poderiam faltar os que eu já sabia que seriam problemas antes mesmo de começar. Foram dos grandes.

Em qualquer um desses casos, por mais distintos que pareçam ser, algumas etapas se tornam comuns. 1) Vocês encontram um problema 2) Rola uma luta para que o que foi construído seja recuperado 3) A negação do fim vem a seguir 4) A gente sofre 5) Isso se torna uma pequena cicatriz que nos torna mais fortes para o próximo capítulo 6) Prometemos que nunca irá cometer o mesmo erro novamente 7) Nós passamos por tudo isso de novo.

Isso não significa que somos fracos, muito menos ingênuos. Às vezes demoramos mais para aprender. Ou precisamos retomar a lição.

De qualquer forma, terminar algo é sempre doído. Muitas ligações são feitas durante o caminho, nos conectamos aos outros e, na maioria dos casos, cometemos um deslize: trancar a porta ao entrarem. A porta nunca deve estar fechada.

Pessoas não são propriedades, nós não somos donos de ninguém e nem temos o direito de tentar prendê-los a nós. Tão fácil na teoria não é mesmo? Difícil é abri-la quando já não faz mais sentido acumular dentro algo que não acrescenta em mais nada. Ou, na mais perfeita das situações, nunca sequer encosta-la.

Deixa aberto. Deixa livre. Deixa voar. Quem quer, de verdade, fica. Ou, pelo menos, acaba voltando. Se não voltar, não era seu. Ou então já teve o seu tempo.

Aceita a vai ser feliz.

Nayara Rosolen

Emprestando as palavras de: Martha Medeiros! 

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Imagem: WeHeartIt

Qual é a criança que nunca sonhou em fugir de casa? Todo mundo tem uma experiência pra contar. A minha aconteceu quando eu tinha uns sete anos de idade. Depois de ter minhas reivindicações não aceitas – provavelmente eu queria um quarto só pra mim e não precisar mais escovar os dentes – preparei uma mochila e disse “vou-me embora”. Tchau, me responderam.

O quê??? Então é assim? Abri a porta do apartamento, desci um lance de escada e ganhei a rua. Fingi que não vi minha mãe me espiando lá da sacada. Fui caminhando em direção à esquina, torcendo para que viessem me resgatar, mas nada. Olhei para trás. Minha mãe deu um abaninho. Grrrr, ela vai ver só. Apressei o passo. Dobrei a esquina, sumi de vista, e claro, entrei em pânico. Pra onde ir? Antes de resolver entre pedir asilo numa embaixada ou tentar a vida numa casa de tolerância, minha mãe já estava me pegando pelo braço e dizendo que a brincadeira havida acabado. Fiquei aliviada, por um lado, mas a ideia de fugir ainda me ocorreria muitas vezes.

O desafio agora seria elaborar um plano mais realizável, pois estava aprovado que , sim, eu queria escapar, mas ao mesmo tempo queria ficar. O mundo lá fora era libertador, mas também apavorante. Eu estava numa encruzilhada : queria ser quem eu era, e ser quem eu não era. Qual saída? Ora, escrever.

Um plano perfeito. De banho tomado, camisola quentinha e com os dentes escovados, eu pegava papel e caneta antes de dormir e inventava uma garota totalmente diferente de mim, e que não deixava de ser eu. Fugia todas as noites sem que ninguém corresse atrás de mim pra me trazer de volta. Ia para onde bem queria sem sair do lugar.

Viva as válvulas de escape, que lamentavelmente não gozavam de boa reputação. Não sei quem inventou que é preciso ser a gente mesmo o tempo todo, que não se pode diversificar. Se fosse assim, não existiria o teatro, o cinema, a música, a escultura, a pintura, tudo o que possibilita novas formas de expressão além do script que a sociedade nos intimida a seguir: nascer – estudar – casar – ter filhos – trabalhar – e – morrer. Esse enredo até que tem partes boas, mas o final é dramático demais.

Overdose de realidade é a ruína do ser humano. Há que se ter uma janela, uma porta, uma escada para o imaginário, para o idílico – ou para o tormento, que seja. Ninguém é uma coisa só, ninguém é tão único, tão encerrado em si próprio, tão refém do que lhe foi ensinado. Desde cedo fica evidente que nosso potencial é múltiplo. Como segurar a onda? Fugindo de casa, mas fugindo com sabedoria ,sem droga, através do espetáculo da criação, mesmo que sejamos nossa única platéia. Cada um de nós tem obrigação de buscar uma maneira menos burocrática de existir.

Martha Medeiros