Hoje eu passei o dia refletindo. Lembrei de alguns momentos, fantasiei outros, mas não subiu o nó na garganta. Hoje não. Hoje eu poderia ter me me aborrecido por falta de consideração, me ofendido por coisas que se tornaram grandes demais em outra época. Hoje não. Hoje eu poderia mais uma vez ter ido atrás ou perguntado para aquela amiga em comum se tem tido notícias. Não, hoje não.

Hoje eu fui o que me tornei graças a tudo o que ele sempre tentou me avisar sobre os outros. Os outros que se tornaram ele – que nunca poderá ser comparado a ninguém.

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Falha na conexão

Era para ser só mais um dia normal, ou nem tanto, mas não era pra ser um dia do qual as borboletas no meu estômago voltassem a fazer aquela bagunça básica. Há alguns dias eu já havia tirado a agonia aqui de dentro que era receber suas palavras secas, sua má vontade ao responder minhas mensagens e a falta de interesse que virou rotina. Já havia passado um tempo desde que despejei as palavras que se encontravam presas aqui dentro. Te deixei em mais algumas palavras vazias.

Meu foco já havia mudado, na direção de coisas que realmente mereciam minha atenção, prometendo a mim mesma de que os sentimentos ruins ficariam para trás. As contas já estavam acertadas com o meu coração que aceitou o fato de que já não existia solução.

A vida caminhava bem, mesmo que os pensamentos hora ou outra ainda vagassem em um passado não tão distante, do qual você fazia parte.

Naquela manhã em que decidi aproveitar o céu azul de domingo para passar o dia fazendo coisas que me faziam bem, entre uma mordida e outra do meu almoço, um pedaço foi engolido quase inteiro, com o que meus olhos confirmaram depois de passarem quase despercebidos por mais uma notificação no celular.

“Sonhei contigo”, dizia a mensagem enviada há dois minutos.

Precisei de 5 segundos até a oxigenação no cérebro voltar ao normal. Uma parte considerável dentro de mim gostou, algo havia sido marcado por aí mais do que você gostava de aparentar. O estômago deu uma leve revirada, a razão alertava: “Lá vamos nós outra vez”.

Eu sabia que em poucas horas toda a animação inicial resultaria em mais um papo frio, talvez receoso ou então desgastado. Mesmo assim, a conformidade de que não tinha mais qualquer sentido, levantou a bandeira da esperança.

A vida estava pregando mais uma peça, da qual eu já estava cansada de fazer o papel principal. Fiquei me perguntando qual era a dessa história que nunca conseguia se decidir sobre a pontuação. O ponto final sempre se tornava uma cansativa reticências, onde nenhuma das partes parecia conseguir dominar.

Eu havia aprendido, finalmente, que nem sempre duas almas sintonizadas acabam ficando juntas, mas alguma coisa ainda insistia em nos conectar.

Um enigma que provavelmente jamais desvendaríamos.

Nayara Rosolen

Acabou.

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É fácil perceber quando algo acaba. Difícil é aceitar. Dói, eu sei que dói. Mas dói ainda mais ficar sustentando sozinho algo que ambos deveriam equilibrar.

Vez ou outra alguém precisa colocar uma forcinha a mais até que tudo se ajeite, mas o tempo todo acaba desgastando, cansando, desanimando. A rotina se torna um chumbo que faz despencar o ânimo de qualquer atividade que precisa ser feita. As horas se arrastam, a falta de concentração toma conta, as coisas ficam pela metade. Da mesma forma que vocês ficaram. Tudo parece ficar pelo caminho, inclusive o cuidado que deveria ter sobre você.

A mente pipoca em motivos para que tudo tenha se tornado essa grande bola de neve. Tudo seria bem mais fácil se fosse dito com mais clareza. Porque você é assim, teimosa, tem mania de ficar remendando panos que não servem para nada mais, precisa que digam com todas as letras aquelas palavras que sabe que vai doer.

Sempre dói, mas também sempre passa. Nada que os fones no último e algumas lágrimas não cicatrizem. Alguma hora esse nó da garganta precisa ser desfeito. O acúmulo de situações e a falta de tempo pra lidar com o que se sente, o torna ainda pior. Queima, causa a sensação de desespero de quem não sabe, ou pior, não tem pra onde correr.

Como já diria Vanessa da Mata “É só isso, não tem mais jeito. Acabou, boa sorte”.

Toda sorte.

Nayara Rosolen