Playlist da semana: 4 anos sem Chorão (CBJr)

Há exatos 4 anos tivemos a triste notícia que o vocalista de uma das bandas de rock mais queridas do Brasil havia falecido. Chorão marcou a minha infância e adolescência, como a de milhões de brasileiros. Desde a época em que o som de “Te Levar” entrava na minha casa todos os dias a tarde na abertura de malhação, as rodas que meus amigos formavam no colégio para cantar suas músicas, até os vários momentos que tenho marcados com as suas melodias.

Nunca achei que pudesse ouvi-las tão de perto da própria banda, mas tive a oportunidade de assistir um show no litoral, em 2012, um ano antes do cantor nos deixar. Prometi que iria nos próximos, mas não deu tempo. Foi impossível não se chocar e mais difícil ainda é lembrar a saudade que deixou.

Portanto, nada mais justo do que hoje dedicar uma playlist todinha para relembrar os bons momentos e as letras que mais ficaram marcadas, em homenagem à ele, que cantou tanta realidade e tantas coisas bonitas:

Proibida pra mim 

Te levar 

Só por uma noite 

Longe de você 

Me pirou o cabeção

Dias de luta, dias de glória 

Senhor do tempo 

Ela vai voltar 

Só os loucos sabem 

Me encontra 

Céu azul 

Meu novo mundo 

Um dia a gente se encontra 

Para finalizar esse post, uma citação dele, que era O cara:

Então, se você tem pai, se você tem mãe, se você tem uma casa, se você tem uma comida na mesa, se tem uma cama limpinha, quentinha, se você tem saúde, se você enxerga, se você escuta, se você se supera, se você erra e aprende com o seu erro, aí você é feliz, aí você tem tudo!

-Chorão

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Hoje eu passei o dia refletindo. Lembrei de alguns momentos, fantasiei outros, mas não subiu o nó na garganta. Hoje não. Hoje eu poderia ter me me aborrecido por falta de consideração, me ofendido por coisas que se tornaram grandes demais em outra época. Hoje não. Hoje eu poderia mais uma vez ter ido atrás ou perguntado para aquela amiga em comum se tem tido notícias. Não, hoje não.

Hoje eu fui o que me tornei graças a tudo o que ele sempre tentou me avisar sobre os outros. Os outros que se tornaram ele – que nunca poderá ser comparado a ninguém.

Tarde demais!

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O que fez eu gostar de você? Bem, a princípio era a empolgação de pela primeira vez ter encontrado alguém que se parecia tanto comigo em vários sentidos. Eu podia ser pra você aquilo que eu sempre vi como defeito e tentava esconder dos outros. Nunca precisei te agradar, nunca nem tentei fazer isso. Tudo fluía naturalmente.

Mas uma hora ou outra, dois gênios fortes tão iguais acabariam dando de cara um com o outro. E deram. Foi uma pancada. Do nada o trem parecia descarrilhar descontroladamente e não é como se um de nós fosse capaz de colocá-lo na linha novamente. Uma parede pareceu ser construída na nossa frente.

Mesmo assim, eu te conheço o suficiente pra saber exatamente o que se passava e o caminho que tudo estava destinado. Ainda que não fosse o do meu desejo, isso é uma das coisas que mais gosto em você: Te conhecer a ponto de saber quando você começa a se despedir das pessoas. Doeu.

Eu passei pela fase de negação. Quis que tudo fosse mentira. Meu lado pisciano fez uma tempestade. Enquanto isso, meu lado virginiano, mais vivo do nunca desde que te conheci, construía aos poucos uma barreira de ferro, além daquela parede já erguida – coisa tola de signo que às vezes parece fazer sentido.

Eu amava as músicas que passaram a ser relacionadas à você. E agora amo a forma como me fazem lembrar de tudo, como me transportam para aquela época.

Lembro do ano novo e seus áudios que fizeram uma virada mais iluminada. Da minha viagem de férias e a playlist que me acompanhou – carregando você. Cada data importante em que eu tentava te impressionar, e de como você tem registrado uma em especial. Cada vez que ficamos tempos sem nos falar, mas de alguma forma, algo nos aproximava de volta.

E é isso que mais dói. Essa partida lenta, como quem quer ficar, mas cada vez fica mais distante. Os silêncios. Os segredos. O desinteresse. A vontade. O sentimento. As lembranças. Infelizmente ninguém vive de passado.

Eu deveria estar dormindo e sei que vou me arrepender quando o despertador tocar. Mas no meio de tanta cobrança da vida no dia a dia, reviver alguns momentos na minha cabeça, de todos os sentimentos bons que você já me proporcionou, ainda parece ser uma boa fuga das confusões rotineiras.

Difícil é quando o suspiro de alívio se torna pesado, cansado, abafado. De saudade.

Quis te chamar, mas parecia tarde demais. No relógio e na vida.

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A criança que ainda existe em nós

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Imagem: WeHeartIt

Há dias que nos pegamos assim, pensativos e até um pouco hesitantes. De repente, a criança que já fomos, e ainda mora dentro de nós, resolve aparecer só para checar como tudo está. E, bem…

Os motivos de diversão foram trocados. A amarelinha e a queimada se tornaram os obstáculos da vida que vez ou outra insistem em aparecer e que precisamos desviar. O esconde-esconde agora são os momentos em que precisamos estar só com nós mesmos refletindo sobre situações da vida que infelizmente não se resolvem só com “1, 2, 3 meu” e que ninguém vai poder chegar no final para dizer “salva todos” – é cada um por si. Tamagotchi não pode mais ser simplesmente trocado quando a gente esquece de cuidar e alimentar, são ser humaninhos ou de quatro patas que demandam a nossa dedicação de verdade. O pega-pega se tornou uma fuga insana da vida adulta e todas as responsabilidades que agora são nossas.

Responsabilidades… Mal sabíamos nós o que significava esse palavrão. Com tanta música para sair cantando e dançando, tantos amigos que ainda tínhamos por perto e toda a preocupação que rodeava naquele momento sagrado que era pegar o achocolatado e ir pra frente da TV assistir nossos desenhos preferidos. Difícil imaginar que um dia não teríamos tempo nem de assistir a novelinha das 17 horas que, ao que parece, foi uma das raras coisas que sobreviveram. Mesmo que bem diferente do que estávamos acostumados.

Aprendemos que sapo não vira príncipe e, olha que coisa, que nem mesmo o tal encantado existe. Acabamos com a farsa do coelhinho da Páscoa, do palhaço e do papai noel. Tiramos as sandálias da Sandy, encostamos a boneca da Eliana, aposentamos a escova que nos proporcionou tantas dublagens de Rouge e RBD.

Trocamos a peteca, a bugalha e o pega-vareta por aparelhos tecnológicos. Nossas amizades de maternidade se tornaram as virtuais que vez ou outra mandam um “Oi, quanto tempo!” – Coisa de gente grande, você não vai querer entender. O fim do mundo não é mais quando o tamagotchi morre, mas quando a internet falha.

Os sonhos, bem… Eles mudaram com o tempo, a gente já deveria saber. A boa notícia é que mesmo cansados, com as olheiras marcadas, as dores nas costas, o peso de tudo o que somos responsáveis… Nada seria assim se não estivéssemos lutando por aquilo que realmente queremos.

Bem lá no fundinho, somos todos crianças com o mesmo encanto diante de nossos desejos.

Nayara Rosolen 

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Não vale a pena!

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Depois de um tempo a gente aprende que não vale a pena. Não compensa perder saúde, energia, noites de sono, a hora, o lugar, os momentos, as oportunidades, as pessoas… Não dá pra ficar gastando tempo à toa.

Não adianta pedir para a vida só mais 5 minutinhos. Quando a gente cresce, feliz ou infelizmente, cada segundo se torna precioso demais para ser gasto com sentimentos que não fazem bem.

As defesas entram no automático, as experiências criam barreiras diante daquilo que sabem que pode nos derrubar, o pouco nó que sobe à garganta não fica por muito tempo e as emoções são expostas só quando, e se for, necessário.

Ainda assim, a música vai fazer lembrar, os filmes vão representar, as lembranças vez ou outra farão questão de retornar e aí… Bom, aí só o que resta é sentir. E esperar que um novo dia amanheça.

No mundo de gente grande, ou passa ou a gente faz passar, mesmo que bem no fundinho algo ainda fique registrado.

Nayara Rosolen

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Crescer é isso (e mais um pouco)!

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Imagem: WeHeartIt

Deu vontade de escrever, assim, do nada. De repente deu vontade de falar despejando palavras nessa página em branco de um jeito que já não fazia parte da minha rotina. A vida tem estado assim, essa correia. São estudos, sonhos sendo realizados, algumas tarefas que eu nunca imaginei que um dia fosse ser responsável e ainda tem aqueles probleminhas “normais” da vida que hora ou outra acabam aparecendo. Os horários ficam curtos, ver a família já não é algo diário.

É um sábado a noite e está tudo escuro, no silêncio, até mesmo as ruas que durante o dia ecoam a trilha sonora das buzinas incansáveis. Agora, só o que dá para ouvir são os sons das teclas sendo tocadas rapidamente, de uma forma que já não acontecia há semanas. Desse jeito. As palavras vão surgindo – dá onde eu não sei até hoje – preenchendo todo esse espaço e aliviando um pouco do nó formado na garganta, como sempre foi.

As luzes que podem ser vistas formando desenhos pelos prédios ainda são as mais lindas, mas especialmente hoje, bateu uma saudade de conseguir ouvir os raros sons de de uma pacata cidade. Engraçada essa vida: a gente passa ela todinha desejando sair de um lugar, onde depois vamos descobrir ser o único capaz de nos fazer sentir verdadeiramente em casa.

Olhando para os lados da onde estou agora só consigo perceber como a cena faz jus à data – algumas coisas espalhadas, papeis em cima de papeis e um varal com algumas roupas que passou a ser parte do cenário. E assim eu me encontro: Nostálgica, um tanto cansada, com muita saudade e ao mesmo tempo uma enorme gratidão. Acho que crescer é isso. Aprender a agradecer, mesmo quando tudo para desmoronar por dentro.

E continuar sorrindo. Sempre.

Nayara Rosolen

Só mais um sonho!

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Não eram nem 8 da manhã de um sábado e já estava com os olhos abertos, fixos no teto branco que se encontrava acima dela, o corpo encolhido embaixo de uma montanha de cobertas que teve que usar pra mais uma noite de muito frio e a cabeça que não parava de martelar em suposições do que poderia ser mais aquele sonho. Por mais masoquista que pareça ser, ela gostava de sonhar com ele. Se sentia, de alguma forma, mais próxima, mas ainda não tinha conseguido definir aquilo que mais se parecia uma despedida. Não que eles ainda tivessem contato direto ou ficasse imaginando diariamente como seria falar com ele novamente (pelo menos não que ela quisesse que as pessoas soubessem), mas nunca foi muito boa em retirar pessoas importantes da própria vida.

O famoso filme passava pela sua mente em câmera lenta, de repente cada fase se tornava um novo capítulo da história, cada sonho que ela tinha entre os momentos de afastamento e que logo traziam ele pra sua vida novamente. Mas não esse. Era um sentimento estranho. Era bom sonhar e o ter perto de novo. Não que a sensação de despedida fosse feliz, mas parecia aceitável, um caminho que já imaginava. E, ao mesmo tempo lá no fundinho, quase imperceptível aparecia um “belisquinho” na alma que tinha quase certeza ter umedecido seus olhos.

Ainda ficava sobre falar ou não sobre o assunto. Sabia que se quisesse colocar os sentimentos em ordem deveria despejar o mais rápido possível, antes que o sentimento ficasse impregnado por dentro, em qualquer nota de rascunho do celular. Na verdade, uma vontade que já estava adiando há dias. Falar sobre ele, pensar sobre a falta, sentir o que quer que fosse aquilo. Ela ainda não tinha definido, mas sabia que precisava levantar da cama, esfriar a cabeça no chuveiro e sair para ver as cores da cidade, escutar os cantos dos pássaros e talvez acabar em uma sala de cinema com alguma história triste só pra aliviar o que sentia. É incrível como nós crescemos e continuamos com as mesmas formas de lidar com os sentimentos.

Só mudam os cenários.

Nayara Rosolen

O famoso Flashback!

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Vamos combinar, às vezes a gente pede pra sentir um aperto. Você sabe que se procurar o estômago vai revirar, se começar a digitar os dedos podem começar a tremer e depois de apertar o “enter” então, esqueça… Cada segundo se parece horas e horas de espera. Aquele tremelique estranho que passa pelo corpo, o estômago que fica enjoado só de pensar em qual será a resposta, e se ela existirá. É tortura, mas a gente procurou por ela. Como se não bastasse, ainda rolam uns flashbacks que podem chegar com a força de te fazer esquecer tudo o que deveria ser feito. A vida para. Tudo gira em torno daquele momento, que logo em seguida pode se tornar um arrependimento. É aquilo de “não tenho mais nada a perder”, “e se eu tentar só mais uma vez?”,  “Tiveram tantos momentos legais, por que não reviver?”.

A gente gosta de sofrer mais um pouquinho, espremer até a última gota da esperança e achar que tudo pode ser como era antes. Nada pode ser como era antes. O antes ficou, o mundo já girou, a vida já seguiu, se a gente bobear os ponteiros do relógio fazem hélice e saem por aí voando. Mas a gente não desiste. Uma simples mensagem que vai te levar dias para superar, assim como dá última vez. A gente procurou por ela. De novo. E a gente começou a escrever sobre o mesmo assunto já citado várias vezes, afim de tentar se distrair. De novo.

É um ciclo que parece nunca acabar: os dois voltam a se falar, dizem não entender como tudo se tornou o que é hoje, prometem se reaproximar, lembram de algumas histórias, riem de certas situações. E fim. Sim, fim. Acabou. O “beijos, até amanhã” se torna “beijos, até o dia em que eu sentir falta e quiser relembrar o quanto o passado foi bom”. Não tem mais assunto, a confiança ou a vontade de contar cada detalhe do seu dia acabou enfraquecendo, novas coisas aconteceram, novas pessoas apareceram, você já não é a primeira pessoa pra quem ele vai contar sobre aquela pessoa que está de olho ou pedir conselho sobre o que deve fazer na hora da confusão dos sentimentos.

A vida é assim, mais do que um livro, é uma série deles. E a cada ponto final de uma última página, infelizmente, algum personagem acaba ficando pra trás ou perde o destaque. Você até olha pra trás e pergunta “Onde foi que a gente se perdeu?”, quando na verdade deveria focar nos momentos em que se encontraram e que, ali, a companhia um do outro era tudo o que importava, cada um com seu papel. Aquela mensagem foi só mais um instante de medo, saudade e desespero, imaginando poder nunca mais encontrar um porto como aquele.

Às vezes a gente se esquece que a vida está cheia de novos deles, basta a gente se libertar do que nos prende primeiro.

Nayara Rosolen.

O dia em que eu aprendi que chorar não é errado!

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Eu sou daquela que chora, mas quem nunca foi pelo menos uma vez? Cresci engolindo o choro perto de outras pessoas: ou por ameaças (“engole o choro ou eu vou te dar motivo para chorar de verdade”, quem nunca?), ou porque eu mesma criava uma barreira (“não posso ser fraca”, quem nunca?). Mas, quando sozinha, libertava todas as refugiadas de uma vez só, daquele tipo que molha o travesseiro antes de dormir. Cresci me achando muito sensível (ou mole demais) e apontando isso como um erro. Daí vem uma coisa linda chamada vida para nos ensinar, assim como as lágrimas, que cada um tem um jeito e expressa suas emoções de formas diferentes.

Há aquelas lágrimas resistentes, que insistem em ficar ali, aglomeradas, impedindo que qualquer imagem possa ser vista nitidamente, mas, sem aguentar, acabam dando o braço a torcer ou escapolem sem perceber. Geralmente essas vêm com um nó apertado na garganta, aquele que a gente não quer soltar e não percebe que assim só sufoca ainda mais.

Há também algumas que surgem sem nem a gente imaginar, de repente dá aquele arrepio no corpo, sobe aquela sensação no nariz, na maioria das vezes utilizando os lábios para soltar os nós, só que em forma de sorriso. Esse sai tranquilamente, sem resistência alguma e o fim a gente já sabe: acaba nos olhos que de tão brilhantes escorrem pelas bochechas cheias ao deixar os dentes à mostra.

Tem dias que eu choro e não é de alegria, nem tristeza. É a saudade e ela não necessariamente tem que carregar junto um desses sentimentos. A saudade é uma emoção livre, que vive por aí, rodeando aqueles que nos faz falta, dando aquele apertãozinho de vez enquanto, mas deixando claro um conforto de quem só faz uso dela, porque um dia já sorriu demais.

Cada uma trabalha de um jeito, amadurece como pode, lida com as sensações da melhor forma e expõe o que sente à sua maneira. Assim como as pessoas.

No fim a gente aprende: erro mesmo é não se deixar emocionar.

Nayara Rosolen