TÁ TUDO CERTO

A gente muda mesmo, “mores”. A gente tá aqui pra viver, aprender, se reinventar. Qual seria a graça de ser sempre o mesmo? O melhor da vida é experimentar.

Num dia a gente espera pelo príncipe encantado, no outro a gente corre atrás daquele carinha só pra dar uns beijos. Hoje a gente não curte muito a combinação de água salgada com areia, amanhã a gente quer virar sereia. Ano passado a gente assistia carnaval pela TV, só pra criticar, e ano que vem a gente pode estar pulando na Sapucaí. Eu posso ter pânico de avião e amanhã querer viajar o mundo.

Sua família pode não concordar, sua vizinha pode comentar, seus amigos podem olhar meio estranho. Afinal, é difícil mesmo encontrar quem não tem medo de ser o que é, fazer o que gosta, com quem gosta, na hora que bem entender. Causa espanto. Essa tal de coragem é para poucos – felizes os que têm.

Ninguém pode te julgar por querer transformar o que te incomoda. E muito menos por se aceitar do jeitinho que você é. Tudo certo querer ficar em casa no sábado a noite, se é o que te faz bem. Festar o final de semana todo? Tá liberado também.

Tá tudo bem trocar a Medicina pela Arte. Ok se você já não se sente você com o que vê no espelho. Não faz mal repaginar o guarda-roupa, cortar o cabelo, fazer o que quiser no seu corpo. Não tem problema nenhum se arrepender por coisas que já fez ou disse (só não vale se martirizar). Tá feito, tá dito. Bora mudar.

Deixa a língua queimar, deixa a alma vibrar. Hipocrisia mesmo é a fala que mente, é não viver o que sente.

Nayara Rosolen

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Hoje eu passei o dia refletindo. Lembrei de alguns momentos, fantasiei outros, mas não subiu o nó na garganta. Hoje não. Hoje eu poderia ter me me aborrecido por falta de consideração, me ofendido por coisas que se tornaram grandes demais em outra época. Hoje não. Hoje eu poderia mais uma vez ter ido atrás ou perguntado para aquela amiga em comum se tem tido notícias. Não, hoje não.

Hoje eu fui o que me tornei graças a tudo o que ele sempre tentou me avisar sobre os outros. Os outros que se tornaram ele – que nunca poderá ser comparado a ninguém.

Deixa Livre 

A vida é feita de ciclos que estão sendo abertos e fechados o tempo todo. Da mesma forma que coisas e pessoas são colocadas no nosso caminho sem que a gente possa esperar, também são retiradas sem se quer perguntar a nossa opinião.

Às vezes nos livramos, já em outras acabamos machucados. Na maioria das vezes dói para que depois a gente compreenda que foi a melhor solução. Mas nós nunca estamos preparados.

Já tive que deixar quem nunca me fez bem e ainda me causava cegueira. Existiram aqueles que mesmo sem qualquer pretensão dominaram partes de mim das quais eu nem tinha conhecimento. Na hora de dizer tchau o sentimento de perda foi tão grande quanto a certeza que eu tinha no começo de que não significaria nada. E, claro, não poderiam faltar os que eu já sabia que seriam problemas antes mesmo de começar. Foram dos grandes.

Em qualquer um desses casos, por mais distintos que pareçam ser, algumas etapas se tornam comuns. 1) Vocês encontram um problema 2) Rola uma luta para que o que foi construído seja recuperado 3) A negação do fim vem a seguir 4) A gente sofre 5) Isso se torna uma pequena cicatriz que nos torna mais fortes para o próximo capítulo 6) Prometemos que nunca irá cometer o mesmo erro novamente 7) Nós passamos por tudo isso de novo.

Isso não significa que somos fracos, muito menos ingênuos. Às vezes demoramos mais para aprender. Ou precisamos retomar a lição.

De qualquer forma, terminar algo é sempre doído. Muitas ligações são feitas durante o caminho, nos conectamos aos outros e, na maioria dos casos, cometemos um deslize: trancar a porta ao entrarem. A porta nunca deve estar fechada.

Pessoas não são propriedades, nós não somos donos de ninguém e nem temos o direito de tentar prendê-los a nós. Tão fácil na teoria não é mesmo? Difícil é abri-la quando já não faz mais sentido acumular dentro algo que não acrescenta em mais nada. Ou, na mais perfeita das situações, nunca sequer encosta-la.

Deixa aberto. Deixa livre. Deixa voar. Quem quer, de verdade, fica. Ou, pelo menos, acaba voltando. Se não voltar, não era seu. Ou então já teve o seu tempo.

Aceita a vai ser feliz.

Nayara Rosolen

Que ano! #EspecialQG

Dois mil e dezesseis: o ano em que tinha tudo para ser só mais um daqueles em que a gente olha para trás e diz “Mas já? Nem vi nada acontecer”. Quem dera, em alguns momentos, podermos apagar. Que bom que somos capazes de vários outros na memória poder guardar.

Foi com medo. De errar, de apressar, de ter que voltar, de não dar conta, de desistir, de não ser como eu imaginei. Nunca é. Às vezes decepciona, às vezes é bem melhor do que a gente sonha. E está aí a graça de viver tudo isso, de se jogar e acreditar em algo que a maioria das pessoas não dão a mínima. Esse ano eu fui felicidade, fui realização, gratidão, saudade e também decepção – faz parte. Fui principalmente construção, de coisas que já viviam comigo há anos.

Nos últimos 365 dias eu vi tristeza, vi tragédias, chegadas e partidas. Vi sorrisos, momentos compartilhados, sintonia que parecia ensaiada. Eu vi sonhos se realizando diante dos meus olhos. Mas, acima de qualquer coisa, eu vi mudança. Vi amadurecimento, crescimento de sementes que foram plantadas há muito tempo – e aprendi que cada coisa tem seu momento. Sabe quando você olha pra trás e pensa “nem acredito que isso está acontecendo”?

2016 foi a realização de tantos momentos passados e repassados na cabeça. Que, aliás, não foram como no roteiro. Ainda bem – ficamos abertos a tantas melhores possibilidades quando desapegamos de uma verdade que nós mesmos criamos e julgamos ser absoluta.
Respirei novos ares e conheci caras novas, o que que me fez decepcionar bastante. Mas aprendi que só assim a vida poderia me ensinar. Passei a selecionar. Não com quem me relacionar, mas o que doar de mim para cada um. Entendi que ninguém pode vir antes da gente e que engolir palavras faz tudo ficar amargo demais por dentro.

O final desse capítulo foi mais do que tudo: lição! Vamos para o próximo. Com medo mesmo. Mas com a certeza de que nada é em vão e de que tudo e todas as dificuldades, serão recompensados. Um novo ciclo se inicia a partir daqui.

Que em 2017 a gente viva tudo aquilo não conseguimos ou não nos permitimos viver em todos os anos anteriores. E que venham também os tombos, para que possamos nos tornar pessoas ainda melhores. Mas, antes de qualquer coisa, que a gente aprenda que quem faz o ano somos nós.

Ah, e que a gente nunca deixe de sorrir e agradecer em qualquer situação.

Nayara Rosolen

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Conto de Natal: Palavras e Melodias (Parte 2)

(Leia a parte I)

Leia escutando: Empire State Of Mind – Jay Z ft. Alicia Keys

Os pais de Augusto, Sr. e Sra. Rodriguez, nunca tiveram uma vida esbanjadora. O casal sempre batalhou muito para que pudessem dar o melhor aos seus dois filhos. Nina, apelido de Virgínia, irmã mais nova de Guto, sempre foi a mais racional. A menina gostaria de um futuro melhor, claro, mas sempre trabalhou muito ajudando os pais em uma pequena mercearia que haviam construído com muito esforço. Já o garoto, desde pequeno sonhava com o mundo das artes. Assim que ganhou seu primeiro concurso musical na escola, aos 7 anos, decidiu que era aquilo que queria para a sua vida. Era autodidata, aprendia tudo com livrinhos que ganhava da dona da banquinha que tinha na esquina de sua casa.

Entre uma ajuda e outra no carregamento de mercadorias com seu pai, corria logo para algum canto dedilhar seu violão já gasto – um presente de seu falecido avô. Em poucas semanas, ele começara a compor suas primeiras melodias. Era bom e sabia disso. Mesmo que os pais soubessem e o incentivassem, nunca puderam fazer muito para que ele crescesse na profissão. Utilizava instrumentos mais caros (pianos, saxofones, violoncelos e até bateria) da escola para praticar. Vivia pelas ruas da pequena cidade do interior do Texas, Fredericksburg, espalhando sua música. Nunca aceitou nenhum tipo de esmola, como ele considerava as ajudas que pessoas ofereciam em dinheiro. Queria mesmo era ir para os grandes centros e começar uma carreira como músico de verdade.

Quando completou 18 anos, o garoto se decidiu: iria embora para Nova York. Os pais acharam uma loucura. A irmã, embora triste, era a que mais acreditava que um dia ele seria um sucesso em todas as rádios e emissoras de televisão. Sem ligar muito para o que as pessoas diziam contra, pegou sua mala e seu violão e entrou no primeiro avião com a economia que havia feito nos últimos meses. Sobrou quase nada, mas ele acreditava que lá encontraria algo e daria um jeito de se sustentar.

Ao pisar em solo nova-iorquino, se sentiu engolido pelas luzes que refletiam para todo os lados. Dava voltas e voltas por si mesmo analisando cada detalhe de todos os cantos nos enormes outdoors. Publicidades, letreiros de grandes teatros e casas de shows, pessoas de todos os tipos, infinitos sotaques e línguas sendo faladas ao mesmo tempo na tão famosa Times Square. Parecia um sonho e era. Seu sonho se tornando realidade. As árvores enroladas em canos de luzes e os enfeites em verde e vermelho o fez piscar três vezes seguidas para garantir de que não estava dentro de um sonho, em algum filme com tema natalino que ele assistia quando criança. Era real. Ele estava ali, mesmo. Cercado por um mar de gente que o empurrava para lugar nenhum.

Depois de horas e mais horas andando por ruas, que se pareciam gigantescas do seu ponto de vista, o garoto encontrou escondida uma porta de madeira que carregava uma enorme placa onde dizia “Hostel”. Ao bater incansavelmente, foi recepcionado por uma menina que não passava dos 13 anos de idade. Ela tinha o olhar um pouco assustado, mas o acompanhou pelos quartos lhe contando como as coisas funcionavam por ali. Cada quarto tinha de 6 a 8 beliches e quase todos eles tinham tabelas com horários para banhos e refeições. Uma senhora surgiu depois se um tempo se apresentando como a dona do local e o encaminhou até seu devido quarto.

As pessoas pareciam ser legais, seus colegas de quarto o haviam recebido da melhor forma e o custo era acessível para o seu bolso naquele momento. Ainda assim, o garoto não pregou os olhos por sequer um minuto naquela noite. Ele olhava fixo para o teto  com as mãos apoiadas atrás da cabeça. Seu futuro começava ali. Só não sabia onde exatamente estava a linha de largada…

(Continua…)

Primeiro Ato

Havia chegado o grande dia. Passaram-se dois meses entre a apresentação dos diretores, os testes para que descobrissem quem se encaixaria melhor em cada personagem e as dificuldades encontradas por cada um até o entender do verdadeiro significado de teatro. Mas nem mesmo a ansiedade desse período, chegou perto do real sentimento de que há menos de uma hora subiríamos ao palco pela primeira vez, com a plateia quase lotada.

Aquela salinha onde já havíamos entrado antes para alguma aula de técnica vocal, agora estava preenchida com toda a energia trazida por cada um. As cadeiras brancas empilhadas e encostadas no fundo da sala nos lembravam as inúmeras vezes usadas como apoio para o cenário. O sofá com aparência antiga quase não podia ser visto embaixo de todas as bolsas, roupas e adereços que logo estariam em cena. O espelho que cobria metade da parede branca agora refletia olhares concentrados, com corpos e mentes claramente inquietos.

O primeiro sinal foi ouvido.

Um “Pai Nosso” foi rezado em coro, na roda fechada, com as mãos dadas e os pés encostados uns nos outros. Uma corrente para que a boa energia não saísse do nosso meio, nos disse os diretores – o teatro tem desses rituais que nos contagiam. Com os olhos fechados, puxamos toda energia positiva. Ao abri-los, soltamos as palavras enquanto olhávamos uns nos olhos dos outros. “Junto minha mão à sua e meu coração ao seu, para que juntos possamos fazer aquilo que sozinho eu não consigo”, estávamos conectados.

Após um grito conjunto de “Merda” (boa sorte para os atores), os olhos que antes se encontravam tensos, agora transbordavam brilho. A alegria de poder estar fazendo o que se ama. Entre um abraço e o outro, chegou aquele que junto carregava olhos emocionados. A emoção de alguém que mesmo depois de uma vida com casamento, filhos e um emprego convencional, resolveu dar ouvidos a um sonho de adolescência.

O segundo sinal soou deixando todos ainda mais inquietos.

Enquanto subiam um a um, com todo cuidado para não alertar a plateia que se encontrava na frente das cortinas, mil pensamentos rodeavam a cabeça. Desde aquele desejo inicial de estar em cima do palco, algo quase impossível anos atrás, até aquele momento. O solo de madeira, já gasto pelos inúmeros espetáculos apresentados, fazia imaginar quantos sonhos já haviam ali se concretizado. O cenário simples, com apenas um cubo centralizado e uma cadeira antiga logo ao lado, traduziam os 13 seres que ali se apresentariam. Um pouco “crus” nessa arte que tem um peso social tão importante, como o de colocar em reflexão os desafios encontrados no dia a dia. Mas prontos para serem os melhores que poderiam.

Após o terceiro sinal e o abrir das cortinas, todo o nervosismo e ansiedade se transformaram em um verdadeiro sentimento de conforto. Estavam “em casa”.

Ela é do tipo que quiser!

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Ela é do tipo que faz graça pra disfarçar a vergonha, contraria elogios para não mostrar a timidez, não olha nos olhos por medo que desvendem o que traz a alma. Sorri de lado, fica com o rosto vermelho e sente queimar quando vê que percebem. Não puxa muito papo pois gosta de fazer (e de quem faz) e não fala muito porque prefere demonstrar os sentimentos em palavras digitadas.

Adora discutir sobre assuntos que entende, mas acha um saco quando começam a falar sem parar sobre assuntos que julga serem desnecessários. Vai acumulando pequenas coisas que viram uma bomba enorme quando explodem (um defeito a ser trabalhado, admite). Chama a melhor amiga pra sair e fica com preguiça na hora do compromisso, culpa a vida por não ter alguém especial ao lado, mas não se interessa por ninguém que apareça. Exala ciúmes por pessoas que considera especiais demais para dividir, fica toda atrapalhada perto de uma pessoa que julga ser importante, perde a dicção quando mais precisa utilizar as palavras e tem medo do desconhecido.

Não gosta de ser contrariada quando está certa do que afirma e é teimosa até demais quando tem algo em mente. Chora por tudo (tristeza, raiva, ansiedade e até de alegria), mas não consegue derramar uma lágrima estando perto de outra pessoa. Gosta de ter tudo programado e se sente perdida quando as coisas saem dos trilhos. Um pouco “noiada” com organização, mesmo tendo o próprio quarto de pernas pro ar. Não sabe contar piada, mas é ótima em dar risada (principalmente nos momentos mais inoportunos). Sorri com os olhos e é capaz de sentir a energia de onde se encontra.

Se impôs para ter o próprio espaço e foi chamada de “rebelde”, vive uma mudança constante e é taxada de doida. Desconfiada até da sombra. Apaixonada por tudo o que faz sorrir. Sonhadora que não cansa nunca de escrever o próprio futuro, contando com a ajudinha da vida. Corajosa o suficiente para não desistir dos seus maiores sonhos, mesmo que pareçam impossíveis.

Primeiro aprendeu a se amar o bastante para, então, entender que pode ser do tipo que quiser.

E, se for de sua vontade, é sem tipo algum.

Nayara Rosolen

Falha na conexão

Era para ser só mais um dia normal, ou nem tanto, mas não era pra ser um dia do qual as borboletas no meu estômago voltassem a fazer aquela bagunça básica. Há alguns dias eu já havia tirado a agonia aqui de dentro que era receber suas palavras secas, sua má vontade ao responder minhas mensagens e a falta de interesse que virou rotina. Já havia passado um tempo desde que despejei as palavras que se encontravam presas aqui dentro. Te deixei em mais algumas palavras vazias.

Meu foco já havia mudado, na direção de coisas que realmente mereciam minha atenção, prometendo a mim mesma de que os sentimentos ruins ficariam para trás. As contas já estavam acertadas com o meu coração que aceitou o fato de que já não existia solução.

A vida caminhava bem, mesmo que os pensamentos hora ou outra ainda vagassem em um passado não tão distante, do qual você fazia parte.

Naquela manhã em que decidi aproveitar o céu azul de domingo para passar o dia fazendo coisas que me faziam bem, entre uma mordida e outra do meu almoço, um pedaço foi engolido quase inteiro, com o que meus olhos confirmaram depois de passarem quase despercebidos por mais uma notificação no celular.

“Sonhei contigo”, dizia a mensagem enviada há dois minutos.

Precisei de 5 segundos até a oxigenação no cérebro voltar ao normal. Uma parte considerável dentro de mim gostou, algo havia sido marcado por aí mais do que você gostava de aparentar. O estômago deu uma leve revirada, a razão alertava: “Lá vamos nós outra vez”.

Eu sabia que em poucas horas toda a animação inicial resultaria em mais um papo frio, talvez receoso ou então desgastado. Mesmo assim, a conformidade de que não tinha mais qualquer sentido, levantou a bandeira da esperança.

A vida estava pregando mais uma peça, da qual eu já estava cansada de fazer o papel principal. Fiquei me perguntando qual era a dessa história que nunca conseguia se decidir sobre a pontuação. O ponto final sempre se tornava uma cansativa reticências, onde nenhuma das partes parecia conseguir dominar.

Eu havia aprendido, finalmente, que nem sempre duas almas sintonizadas acabam ficando juntas, mas alguma coisa ainda insistia em nos conectar.

Um enigma que provavelmente jamais desvendaríamos.

Nayara Rosolen